segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Balanço Vazio

    Ela não está mais lá, ou talvez nunca esteve e eu pensei que sim. As coisas mudaram muito rápido e eu não tive chance de me acostumar, fui reduzido a pó dentro dela em menos de um mês. É inevitável olhar e enxergar meus erros me encarando. Não existe mais nada pra mim lá, e é só uma questão de tempo até que eu perceba. Enquanto isso, eu atravesso a rua sem olhar para os lados, desejando infinitamente que um alguém distraído me cesse a dor. Não me importo mais comigo mesmo. Mas é apenas fase, e assim como as felizes, vai passar.
    O tempo oscila entre o vilão e o mocinho da história.  Hora faz as vezes de cruel, hora é aquele amigo que te estende a mão e fala: - Vai passar, fica tranqüilo.
     Não gostaria de ver o tempo passar e ficar parado, mas estou de mãos atadas, não posso fazer nada. Não posso pegar em armas com a guerra já perdida. Posso apenas aprender a não perder uma próxima vez, o que é inútil, tendo em vista que não acontecerá uma próxima vez.
   Na verdade, eu não sei o que quero do tempo. Se eu só quero que ele passe rápido pra mim, se quero que ele volte ou se quero que ele pare.
    Gostaria de olhar pra frente, mas algo sempre me puxa ao passado. Dou quatro passos à frente e em seguida me vejo à seis atrás. É como se existisse algo inacabado, algo incompleto, como se ela tivesse posto reticências, e não é bem assim. Eu sei que ela pôs um ponto final da parte dela. Agora só falto por um da minha.
  Eu amo ela. Mas isso não vai durar pra sempre, e sinceramente, eu não sei se isso é bom ou ruim.

Caio Tenorio

2 comentários:

  1. Aquele sentimento de que há algo inacabado é próprio de quando deixamos algo ou alguém com quem esperávamos ter muito mais pra viver. A história, não a de vocês dois, mas a sua, como um todo, deve sim ter reticências, sempre, para que você possa criar, escrever, descobrir, aprender e amar novamente. Ela fez parte de uma das fases da sua vida, como você falou, é um personagem de um dos capítulos da sua história. Pode voltar, ou não; as circunstâncias responderão, e você, escreverá como vai ser, ao menos para si. Pontos e reticências são parecidos. As reticências podem parecer pontos se não sabemos esperar pelo que elas indicam estar por vir.

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